O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que um acordo de cooperação nuclear civil com a Arábia Saudita depende inteiramente da adesão do país aos Acordos de Abraão e da normalização das relações com Israel.
Trump fez os comentários na quinta-feira.
Sua declaração, feita um dia após o anúncio do acordo, gerou novas dúvidas sobre um pacto cujos detalhes completos ainda não foram revelados.
Trump escreveu em sua conta no Truth Social que o acordo seria aprovado, mas que dependeria inteiramente da adesão da Arábia Saudita aos “altamente respeitados e bem-sucedidos Acordos de Abraão”.
A Arábia Saudita não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. Se concordar em normalizar as relações com Israel sob os Acordos de Abraão, isso será visto como uma grande mudança na política de Riad, que vinha adotando há tempos.
No dia anterior, o Departamento de Energia dos EUA informou que Washington e Riad assinaram um acordo para uma parceria de cooperação nuclear pacífica de vários bilhões de dólares e com duração de décadas, além de um acordo bilateral de segurança relacionado ao lançamento de um programa nuclear civil.
O acordo precisará da aprovação do Congresso dos EUA para entrar em vigor.
Segundo relatos em diversos veículos de comunicação dos EUA, sob este acordo, a Arábia Saudita terá a oportunidade de enriquecer urânio em seu próprio território, o que será uma alternativa ao combustível nuclear importado.
Tal medida é vista como uma grande mudança na política nuclear americana de longa data, já que Washington se mostrava relutante em fornecer tal tecnologia ou conhecimento a países que não possuem tecnologia própria de enriquecimento.
No entanto, em uma publicação na quinta-feira, Trump negou esses relatos e escreveu: “Não haverá enriquecimento de urânio de nenhum tipo!”
Ele também afirmou: “Os Estados Unidos não se opõem a instalações nucleares civis (não enriquecidas)”.
O enriquecimento de urânio não é proibido pelo Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), do qual os Estados Unidos e a Arábia Saudita são signatários. Embora o enriquecimento seja necessário para a produção de combustível nuclear, em níveis elevados ele também pode ser usado como base para armas nucleares.